Os Matis estão no Amazonas, na Terra Indígena do Vale do Javarí. Estudo da Funasa, realizado em 2010, registrou 390 indígenas desta etnia. Seu histórico com o homem branco é marcado pela grande oscilação populacional ao longo dos anos. Se ouviu falar dos Matis, em 1971, com a implantação da sede da Funai na região do Alto Solimões. Ainda nessa época, esses povos eram confundidos com outros indígenas da região e só passaram a ser reconhecidos como uma etnia diferente em 1972. Em 1975, com a criação de um posto indígena de atração, os contatos com não-indígenas se intensificaram, especialmente pela busca de objetos e de tratamento médico. A língua Matis pertence a família Pano e não tem relação com nenhum tronco linguístico. O nome Matis foi dado por funcionários da Funai que os atribuiam à etnia Matses, que significa "ser humano". Na sua própria língua, se autodenominam Mushabo e Deshan Mikitbo, nomenclatura que diferencia os grupos dentro do mesmo povo entre tatuados e gente da pupunha. Os Matis possuem fortes rituais de sepultamento, além de cerimoniais de musha, onde os grupos tatuados e pupunha (retiram da pupunha o espinho para a tatuagem) se unem para marcar os seus na face como uma forma de reconhecimento e afirmação de identidade. Os ornamentos desses povos são uma forma de identidade que define origem, gênero e idade. Entretanto, com o crescente contato com não-indígenas, os adornos acabaram em desuso. Ainda assim, os Matis guardam na memória a ordem cronológica das práticas. A perfuração e alargamento do lóbulo, por exemplo, seria a primeira etapa, por volta dos cinco anos. Depois, a perfuração do nariz, abertura do septo e furo do lábio inferior. Os homens adultos ainda colocam outro enfeite no lábio superior, tatuam e furam as bochechas e, os mais velhos, tatuam a testa. Essas etapas ocorrem ao longo da vida para demonstrar o amadurecimento. Os Matis já participaram de oito edições dos jogos e sua principal atração é a zarabatana.

POVOS

MODALIDADES INSCRITAS